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o sertão paraibano, enquanto vierem tantos iguais a mim, de fora, não deixará de ser palco das mais idiotas e febris vaidades de ruas e ter por início e consequência o mesmo desespero de uma aventura quase 'macabeiana'. de estar só. de sentir-se só. de não saber quem se é e para o que veio. mesmo saboreando a goiabada com queijo. mesmo quando é gritante a certeza de que a vida torna-se menos frágil e doce que um copo de vidro cheio da pinga mais gostosa. "well, that's right! Well, I may have faked it.."
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Man on Wire (O Equilibrista)


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sou assim mesmo. cultivo prazeres como andar numa corda bamba, não minto. teimo por puro orgulho ou com a convicção demasiada de que estou certo, ainda que sendo errado, vivendo estranhamente entre a tristeza e a felicidade. cego comigo mesmo até que provem o contrário.
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se me canso de ser assim?! nem sempre. digamos que eu seja uma persofinificação pós-moderna misturada das doutrinas de Zenão de Cítio e Epicuro de Samos. não fujo do que me é natural mas tampouco deixo de sentir prazer na forma como conduzo minha vida ou deixo me levar, embora mais podendo parecer uma visão romântica da vida.
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mas, quem disse que meu romantismo não é ou pode ser real sem os exageros dos séculos passados, senão destes tempos?!
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não sou diferente de ninguém, claro. tantos mais iguais a mim perambulam por aí em igual ou menor potencial seja lá qual for o círculo vicioso ou virtuoso de suas vidas. a única diferença entre nós e alguns, é que assumimos nossas dores. não sentimos vergonha delas. suportamos o fardo de parecer "idiota", por vezes.
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se me perguntam exatamente o por quê de continuar seguindo dessa maneira, respondo à moda loucamente desprentensiosa de Petit: não existe um porquê exato. a gente só quer ser a gente de alguma maneira e isso não exige muita explicação. ou, vai ver, não me sinto compelido a tanto.
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e, não. isso não foi uma explicação!
4

Está bem?!

- Você terá que sorrir mais nas fotos.
- Por que fingir que estou feliz?
- É assim que se faz. Se tirarem uma foto, você sorri. Não importa se está feliz. Você apenas sorri para se adaptar.
- Está bem?
- Está bem.
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tenho muitas famas. conheço algumas delas e menciono duas aqui: dizem que fui achado na lata do lixo. eu rio. esta em consequência dessa outra: dizem, sou do contra. eu rio.

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nem sempre foi assim. nunca gostei de sorrir. sempre achei meu sorriso feio. sempre achei meu sorriso falso. mas, eis que uma pessoa disse que meu sorriso era bonito e, então, dei de andar rindo nas fotos. a vaidade falou mais alto, apesar de dizerem que o meu cartão de visitas para o convívio interpessoal (?) era falso também.
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de fato, meu sorriso foi falso mesmo. se sorri foi pra me encaixar de alguma forma num meio que não necessariamente seria onde estaria bem. para fazer parte da rodinha que se acha cool, para não viver sozinho demais no sertão paraibano, ou postar fotos no orkut fazendo trejeitos bem anos 90 (o que até hoje, apesar de estar neste rol dos que postam, não parei de achar brega).
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é que não fujo do estranho mundo dos seres humanos, sabe?! precisamos viver, criar todos laços de amizade, de bom companheirismo, amar os outros como se não houvesse amanhã (bullshit), apertar a mão, abraçar, beijar, namorar, casar, morrer. enfim, sorri e correr sempre atrás da felicidade, por conta de uma coisa chamada coercitividade da qual dificilmente podemos fugir.

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todavia, se senti dor, sorri. de saudades, sorri. cansado, chateado, preocupado, com tantas provas na faculdade por fazer, trabalhos com prazo pra entregar, sorri. se cantei lady gaga, sorri. se escutei forró, sorri. se fui prum show de forró, sorri. quando não fui eu mesmo, sorri.

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rindo sempre o meu riso mais cínico, benquisto alhure, perdido pra mim, ferido demais, escondendo sinais.

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de tantas poses fakes, é certo que fingi. e fingi muito bem na hora de rir. afinal, ao menos meu sorriso saiu bonito (?), o que é difícil quando se finge. menti enquanto supuseram que eu estava feliz. (who cares?!)

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no entanto, a ironia: nas horas mais felizes, não sorri. ensaiei a cara amarrada e me escondi atrás da cara de vilão. fiz-me valente. não fui de nada. e foi só um jeito que escolhi, como na música, para viver na pior. quem riu?! não preciso nem responder, né?!

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brinquei com os espelhos. espalhei sorrisos. se finjo ou não finjo, agora eu não sei. ou finjo que não sei. e no mais, todo mundo faz planos, procura dar um sentido a vida...
2

é pedir demais?!

quase quatro anos aqui e tudo que não queria é ser isso que sou hoje. esse ser meio complexo, que pensa demais.
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às vezes, penso que pensar de menos me tornaria uma pessoa mais feliz e menos agitada. ando muito insatisfeito. no que me tornei?! que tipo de pessoas quis/quero ao meu lado?! no que passei a acreditar?! quatro anos! são quatro que mais parecem uma vida toda. uma vida toda pra aprender de uma vez por todas a ser ruim, fato!
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outro dia desses, investi numa amizade. eu 'tava com a cabeça meio le-lé na hora. mas, mesmo assim percebi que valia a pena. e eis que uma amiga nem tão amiga assim veio me alertar para tomar cuidado com aquela.
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nunca gostei de tomar cuidado em relação às minhas amizades. nunca dei ouvidos aos amigos de cuidados excessivos em relação a minha pessoa. sempre me entreguei por inteiro, não sei se por, no pior das hipóteses, desespero em virtude da solidão cada vez mais gritante em terras sertanejas ou por bom samaritanismo demasiado acreditar nas pessoas, dar a elas a atenção que mereceram ou por crer que todo mundo tem direito a uma segunda chance. falo de amizade, não de qualquer amizade.
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meus amigos sempre me disseram pra não confiar em fulano de tal, geralmente num outro amigo meu. teimosia deveras é verbo gritante dentro de mim. todas as vezes me estrepei, mas levantei de novo, às vezes perdoando quem me traiu e tentando enxergar o que de mais qualitativo tinha em certa pessoa próxima em detrimentos dos vícios de essência. na maioria das vezes, fui mais ouvidos do que meramente falei.
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no entanto, hoje, não consigo mais entender as pessoas, também não me esforço para fazer isso. ando impaciente, egoísta, possessivo. sou semelhante a quase todos de pouco coração agora, mais um, mesmo multidões não cabendo mais em mim.
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(e olhe, não esfrego na face de ninguém essas minhas lamúrias, não. mas sou umano, caramba. e não tenho vocação pra atingir o mais alto grau de insanidade em prol do outro, não. não aguento mais!)
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mas, disso tudo sempre sobra uma lição (mais tarde esquecida, como sempre esqueci muitas outras) a qual acerca dela minha mãe sempre alertou noutras palavras que não estas de Guimarães Rosa: "querer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal por principiar". só que, quem diabos escuta mãe ou pai numa idade dessas de prazeres efêmeros, porém intensos, porquanto achando toda esse palavreado do escritor mineiro muito bonito nos livros?!

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e eis que aqui estou. plantei e semeei meu próprio mal, dores minhas, alhures igualmente. tudo por culpa minha. claro, como cuidar só do outro?! não me posso julgar certo no meio de uma gente toda que pensa certo o que acho errado. não sou deus e não gosto de criar leis.-
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mas também não quero fadar sempre ao encontro de só mim mesmo. as pessoas são assim, não posso ensejar que elas mudem in absoluto ao meu bel pensar da vida. mas, não nego outrossim que elas próprias, então, assustam-me, amedrontam-me. não confio mais nelas tanto quanto sequer confio em mim.
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pra falar na real, enfim, meu coração tem se tornado um rio de veredas ainda mais secas, entremeado de reticências, interrogações e idéias inconclusas. sertão é aqui dentro mesmo.
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"sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. viver é muito perigoso..." assim, cada um carrega o sol que merece. não só o que ilumina apenas. mas, sobretudo, o que mais rasga e tinge tão somente de sofreguidão o que deveria ser colorido em plenitude.
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só queria um abraço. ora uma palavra de verdade. é pedir demais?!
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p.s: termino esse texto agora e o celular toca aqui. sabe quem é?! mais uma amigo de pernambuco. eles ou minha mãe adivinham quando preciso conversar. vou atender. abraço!