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"when I climb the stair and turn the key..."

minha vida social por lá tem se resumido a duas situações: ou as pessoas tentarão me provar que são melhores que eu em algo o qual nunca imaginei ser, pensar que era, ou se reconherão de jeito tal, estranhamente, necessitadas, sei lá, que virão até mim buscando conselho.
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esse último tipo de papo tomará o mesmo viés: a pessoa fala, eu escuto, depois dou um posicionamento (às vezes, nem dou) e ela vai sorrir e me abraçar, agradecendo por eu ser como sou.
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mas quando essas pessoas vão me escutar falar, dizer-me o que quero ouvir e me fazer rir quando eu mais precisar sem procurar meios de se desligar da conversa ou pensar outras coisas?!
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minha casa, meus amigos, um amor pingado de 2002 pra 2003 reacendido em 2010, o ar, a movimentação, o bregão que toca nas rádios populares, o cheiro da cana, todos do lado de cá nunca antes fizeram tanto sentido.
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lá eu não tenho uma pessoa. as pessoas de lá, também não.
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o sertão paraibano, enquanto vierem tantos iguais a mim, de fora, não deixará de ser palco das mais idiotas e febris vaidades de ruas e ter por início e consequência o mesmo desespero de uma aventura quase 'macabeiana'. de estar só. de sentir-se só. de não saber quem se é e para o que veio. mesmo saboreando a goiabada com queijo. mesmo quando é gritante a certeza de que a vida torna-se menos frágil e doce que um copo de vidro cheio da pinga mais gostosa. "well, that's right! Well, I may have faked it.."
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Man on Wire (O Equilibrista)


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sou assim mesmo. cultivo prazeres como andar numa corda bamba, não minto. teimo por puro orgulho ou com a convicção demasiada de que estou certo, ainda que sendo errado, vivendo estranhamente entre a tristeza e a felicidade. cego comigo mesmo até que provem o contrário.
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se me canso de ser assim?! nem sempre. digamos que eu seja uma persofinificação pós-moderna misturada das doutrinas de Zenão de Cítio e Epicuro de Samos. não fujo do que me é natural mas tampouco deixo de sentir prazer na forma como conduzo minha vida ou deixo me levar, embora mais podendo parecer uma visão romântica da vida.
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mas, quem disse que meu romantismo não é ou pode ser real sem os exageros dos séculos passados, senão destes tempos?!
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não sou diferente de ninguém, claro. tantos mais iguais a mim perambulam por aí em igual ou menor potencial seja lá qual for o círculo vicioso ou virtuoso de suas vidas. a única diferença entre nós e alguns, é que assumimos nossas dores. não sentimos vergonha delas. suportamos o fardo de parecer "idiota", por vezes.
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se me perguntam exatamente o por quê de continuar seguindo dessa maneira, respondo à moda loucamente desprentensiosa de Petit: não existe um porquê exato. a gente só quer ser a gente de alguma maneira e isso não exige muita explicação. ou, vai ver, não me sinto compelido a tanto.
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e, não. isso não foi uma explicação!
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Está bem?!

- Você terá que sorrir mais nas fotos.
- Por que fingir que estou feliz?
- É assim que se faz. Se tirarem uma foto, você sorri. Não importa se está feliz. Você apenas sorri para se adaptar.
- Está bem?
- Está bem.
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tenho muitas famas. conheço algumas delas e menciono duas aqui: dizem que fui achado na lata do lixo. eu rio. esta em consequência dessa outra: dizem, sou do contra. eu rio.

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nem sempre foi assim. nunca gostei de sorrir. sempre achei meu sorriso feio. sempre achei meu sorriso falso. mas, eis que uma pessoa disse que meu sorriso era bonito e, então, dei de andar rindo nas fotos. a vaidade falou mais alto, apesar de dizerem que o meu cartão de visitas para o convívio interpessoal (?) era falso também.
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de fato, meu sorriso foi falso mesmo. se sorri foi pra me encaixar de alguma forma num meio que não necessariamente seria onde estaria bem. para fazer parte da rodinha que se acha cool, para não viver sozinho demais no sertão paraibano, ou postar fotos no orkut fazendo trejeitos bem anos 90 (o que até hoje, apesar de estar neste rol dos que postam, não parei de achar brega).
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é que não fujo do estranho mundo dos seres humanos, sabe?! precisamos viver, criar todos laços de amizade, de bom companheirismo, amar os outros como se não houvesse amanhã (bullshit), apertar a mão, abraçar, beijar, namorar, casar, morrer. enfim, sorri e correr sempre atrás da felicidade, por conta de uma coisa chamada coercitividade da qual dificilmente podemos fugir.

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todavia, se senti dor, sorri. de saudades, sorri. cansado, chateado, preocupado, com tantas provas na faculdade por fazer, trabalhos com prazo pra entregar, sorri. se cantei lady gaga, sorri. se escutei forró, sorri. se fui prum show de forró, sorri. quando não fui eu mesmo, sorri.

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rindo sempre o meu riso mais cínico, benquisto alhure, perdido pra mim, ferido demais, escondendo sinais.

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de tantas poses fakes, é certo que fingi. e fingi muito bem na hora de rir. afinal, ao menos meu sorriso saiu bonito (?), o que é difícil quando se finge. menti enquanto supuseram que eu estava feliz. (who cares?!)

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no entanto, a ironia: nas horas mais felizes, não sorri. ensaiei a cara amarrada e me escondi atrás da cara de vilão. fiz-me valente. não fui de nada. e foi só um jeito que escolhi, como na música, para viver na pior. quem riu?! não preciso nem responder, né?!

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brinquei com os espelhos. espalhei sorrisos. se finjo ou não finjo, agora eu não sei. ou finjo que não sei. e no mais, todo mundo faz planos, procura dar um sentido a vida...