tem horas em que penso que a gente carecia, de repente, de acordar de alguma espécie de encanto.
e guimarães estava mais uma vez certo.
talvez tenha me faltado (ou eu querido menos) escrúpulos, inteligência, estalo de consciência ou outro significado mais cômodo, e menos descontente.
hoje, mais do que nunca, e sempre, haverá nós a menos. nós dois em pedaços, em pessoas diversas. porque tive coragem. toquei o imundo. e fiquei sujo de alegria.
2016 é agora.
sobre 2015.
desequilibra, desequilíbrio...
indo e vindo, a gente bem sabe o que a gente foi um pro outro. a gente briga com essa ideia boba, essa zona, que a gente se tornou. que os defeitos, visões e contradições nos premie com o perdão da palavra. com perdão da língua e da palavra. mas a vida nos contagie. eu não ando nada só.
o texto que o blogspot apagou... (lembrei sabe-se lá como...)
existe aquele silêncio, a histeria da burrice, de dizer as coisas mais idiotas e de achar que tudo não passa da certeza, persistentemente. pode ser a vitalidade da desilusão. vez por vez. é o que pude obter da estupidez e do meu trono dos sonhos. minha vida nunca foi isso... de cuspir minuto a minuto.
But...
“… i probably still adore u with ur hands around my neck…”
Oração
Dos calmos jogadores de xadrez
Como passar a vida.
O natural impulso dos instintos
Que ceda ao inútil gozo
De jogar um bom jogo.”
| — | Fernando Pessoa (Ricardo Reis, 01.06.1916) |
esperei dias e não passo mais os dias acordando na aflição de quase meio dia. queria rezar, não rezo mais. implorava pra sobreviver, e não mais imploro. a vida se fez certeira. hoje imploro pra ter amanhã, mesmo estando sóbrio. e dormindo, imploro pra que o dia dure mais. a vida dá voltas e nem é mais tão viciosa. aceitei meu fardo. não sou mais o passado e o presente recente. não desisti da luta, talvez a luta tenha me bem querido/quisto, sei lá... eu quero o comum, eu quero o que os comuns querem. talvez, esteja ficando velho, ou tão velho. já era tempo... quem sabe, de voltar, quem sabe?! amar o que a gente faz ou anda fazendo dessa vida é importante. amém!
stoy aqui.
não suporto tanta normalidade. o mundo não para. o tempo é todo de novo. e eu também. busco na memória credos de proteção para meus dias de cores difusas. refaço meus passos, não sigo teus passos, mas investigo teus rastros. e minha memória reflete em preto em branco a letargia pronta para lápide. túmulo aberto. amarga junto com a bebida. depois acende um cigarro, não sem antes se perdoar de todas as noites como esta…
where i am then am not
fiz as contas e cri piamente ter vivido 50 anos em cinco, suficientes para abrir a boca e dizer, de fato, vivi e aprendi algo bastante.
desde quando cansei?! Não sei, Fiódor, não sei. sei que dor e sofrimento chegam mesmo a ser inevitáveis para uma inteligência e um coração profundo.
e, neste atropelo desvairado do tempo, um coisa é desejado aprender; outra, totalmente diferente, é querido garantias de que jamais ir-me-ia enganar de novo.
você estava certo. aliás, sempre esteve… mundo estúpido! gente estranha!
Flor da Idade (parte II)
flor da idade.
sinto falta da clandestinidade. de início sair sem ser notado. de depois lançar olhares, sorrir e dançar colado, e fugir sem me importar. de tirar a roupa e, sobre o amor, contar mentiras. de me grudar o suor, outras vezes, naturalmente, em corpos errantes, falar baixinho e fingir impunemente que gosto e sou. de, sem carinho, sem dó, sem piedade, converter gemido em canto, (...) de, assim, pro caminho que eu quiser, na gandaia da noite escura da amargura, ser feliz em segredo, se algum houve.
(continua…)
Mr. Play it Safe crashed down..
'eu te amo' e 'desculpa' são coisas totalmente diferentes, e difíceis. tão difíceis que me avultam a fugidia desconfiança de quem fala isto ou aquilo com destreza contumaz.
triste e vil redenção do herói algoz. do herói que reverencia, diante dos contratempos muitos, casmurramente o recato, asfixiando o que insistem chamar de beleza, o que dizem ser liberdade.
existe encanto neste destoar calejado? andarilhar, muitas vezes sem remorso, a peculiar sensação de amar pressagiando contramão?
acho que até o diabo choraria…
(seja lá por que for)
às violetas, com amor.
se eu pudesse descrever 2012 em uma única palavra, poderia tão somentemente falar em saudade. mas não: mais que saudade, 2012 bastante significou minha dificuldade de se seguir adiante. aliás, perdi as contas de quanto o chão abriu e se fechou mormente meu leviano pensar em continuidade..
cada lembrança foi fulgaz, cada momento foi instável. denotaram demasiado meu medo do desconhecido, de modo que foi piorando para uma rotina das mais entediantes e, para não ser menos clichê, desestimulante, enfim. fui feliz também, por farra, fui feliz.
e se me perguntarem, direi, assim guturando, sem muito querer, que não alimento sonhos para 2013, o qual continua voltado para um punhado de dúvidas e de promessas pela falta de resoluções que ainda escapam de meus dedos tanto displicentemente em 2012.
talvez, mais que vcs, eu próprio continue me perguntando exato o que me indaguei em fins do ano de 2011: por que estou aqui, como diabos vim parar aqui e se tudo isso algum dia irá fazer sentido, tentando, quiçá, desvencilhar o substancial e o concreto disso tudo, tentando, com sucesso ou em vão, encontrar-me no caos de minha própria cabeça…
em 2013, por ventura, eu continue pequeno, menor que o mundo ou mesmo menor que todo mundo, sem saber passar. e é mal da vida, sabe?! não saber passar… mas, quem sabe?, um alento traga a esperança de volta ou qualquer coisa assim que faça florescer, crescer e ser tudo prometido de novo..
poderia igualmente não me transformar em nada, completando o velho e tão habitual ciclo de um desejo que não se tem, do arrependimento de não ser ninguém, da insatisfação da palavra que não existe, dos fragmentos que criam em nós uma paisagem dolorida, um por do sol eterno do que somos.. vivenciando pequenas tragédias sem pronunciar-me exatamente acerca de nada.
seria nem aprazível nem desprezível, nem canalha nem o mais correto, nem herói nem monstro. perseguiria meus dias no meu canto, desbaratando uma resignação quinina e inteiramente infrutífera de que um inteligente não pode incorruptivelmente se tornar qualquer coisa, mas que só um louco pode se tornar algo.
como é que a gente sabe?! ! quando é que a gente sabe?! gracias a la vida, que é mesmo para os profissionais.
catecismo, o amor e eu…
what else should i be? all apologies. what else could i say? everyone is gay. what else could i write? i don't have the right. what else should i be? all apologies.
Nirvana, em All
Apologies.
sabe that awkward moment em que vc, desesperado, começa a bater aquela bronha com as duas mãos, e, ainda assim, não mais goza com a mesma felicidade/satisfação, porque as coisas de antes não te dão mais tesão?! pois é, sinto informar, mas o amor que eu tinha era pouco e se acabou.
"Am I the one? 'Cause I feel like none."
Mesmo que eu tenha criado um traje especial, que me permita viagens em modo espacial, ainda não voo. foguete é osso: pro ser humano, viver é pouco.
Céu, em Falta de Ar.
às vezes creio não saber lidar com o mundo lá fora. a verdade é que jamais aprendi exatamente, se é que se aprende algo neste mesmo mundo, se é que algum dia eu tenha desejado aprender algo que se preze sem rodeios tantos.
aprender, por exemplo, a resolver os problemas sozinho, aprender que nem a verdadeira e tenra amizade supera, aprender que não há como salvar alguém de alguém, aprender que a tristeza nem sempre se transforma em força ou aprender que, nem mesmo cultivando religiosamente todos os desejos, não é sempre que eles crescem.
de onde eu venho, não existe essa dramaticidade.
mas também, de onde venho, não se diz tudo com todas as palavras: mas é difícil fugir do jogo. é difícil tentar não explodir qualquer dia desses... explodir todos os dias.
e, das duas, uma: ou sei bem me punir, ou sei bem me tratar.
zerou 2012.
“Então não sei o que eu devo fazer
Pois se eu fizer bem quadradão
Vão me chamar de quadradão
Mas se eu fizer muita loucura vão dizer que eu tô maluco
E desse jeito você nunca vai ser muito popular…”
Dear dad, u put on quite a show!
Não me indigno porque a indignação é para os fortes; não me resigno, porque a resignação é para os nobres; não me calo, porque o silêncio é para os grandes. E eu não sou forte, nem nobre, nem grande. Sofro e sonho. Queixo-me porque sou fraco e, porque sou artista, entretenho-me a tecer musicais as minhas queixas e a arranjar meus sonhos conforme me parece melhor à minha ideia de os achar belos.
- fernando pessoa -
como se fosse pra sempre…
crap.
lá do topo da ladeira, enquanto esperava e assistia à cena e os cabelos simpatizavam com o vento, ela me olhava com os olhos de quem devora, de quem tenta decifrar, dilacerar a todo o custo. mordia os lábios com um certo prazer. eu, ora mocinho, ora bandido, por vezes, corpo ou só nada, quando não vestido de velhos trapos, cheirando a vinho barato e estranheza, corria pedindo socorro, quase cachorro. e, no fluxo desenfreado que a vida tomava, trocando os pés pelas mãos, às vistas de ser atropelado, de dizer tudo, sem gritos de escandâlo... tomasse uma medida urgente, será que me mataria ou me amaria de vez?! ♪ “doesn't look a thing like Jesus, doesn't look a thing like Jesus, but more than you'll ever know…” ♪
post script.
tem idiotices que soh o facebook escancara pra vc e, qndo li a besteirada da madrugada (meio sem querer, pq meio mundo de gente curtiu, comentou, alguns compartilharam e apareceu, por fim, na minha timeline), certeira foi a lembrança de josé saramago, que certa feita pensou:
"é desta massa que somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade”, ou melhor, assim, no mesmo livro, também completando: "dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”.
quer criticar alguém, quer dar as costas talvez àquele grupo do qual vc faça parte, para, quem sabe, pertencer a outro, que te ojeriza sem vc saber?! comece não dando nome aos bois, não rotulando como meio mundo de gente faz (indiretamente) por aí.
afinal, não se pode esquecer que um dia vc tb foi desrepeitado, e que também passou a se desrepeitar, incorrendo agora/então na figura do desrespeitador tanto de si quanto do alheio.
ou, vai ver, só sou eu que estou me ojerizando, criando, talvez, monstros e me enclausurando por puro preconceito. ahh, vá!
(ob.ses.são)
sf.
1 Ideia fixa; preocupação excessiva com alguma coisa e que dificulta pensar em outra4 [Cf.: obcecação]
2 Psic. Distúrbio emocional em que o pensamento se fixa e se repete na mesma direção, associado a gestos e atos compulsivos; NEUROSE OBSESSIVA; COMPULSÃO [Cf.: obcecação]
3 Teol. Atormentação por contínuas sugestões causadas pelo diabo (contudo sem existir possessão)
4 Teol. Perseguição ou vexação atribuída à influência do diabo
[Pl.: -sões]
[F.: Do lat. obsessio]
(via dicionário Aulete Digital)
“por isso gosto tanto de me contar. por isso me dispo. por isso me grito.”
é um acordar como quem acorda num espasmo, meio estranho comigo mesmo. é o amargo na boca. depois o café quente. depois a azia. de novo o descontentamento com a vida, de novo uma vontade de não estar nem aqui nem ali. de não chegar a lugar algum, é a carência. a saudade. é a mágoa e o rancor (…) uma espécie de avião em queda, avidez de uma esperança insatisfeita. o vazio que grita e ecoa. a aprovação que não faz sentido. ser doido e santo, e ser doido assim mesmo. desconhecer do tempo e o relógio não fazer milagres, porque (…) nossa festa era tão certa, pés no chão (…) mas eu não pude dizer não, intuíam desde o começo, porque sou pequeno demais para tudo aqui dentro.
