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#nowplaying Springfield or Bobby got a shadfly caught in his hair - Sufjan Stevens

♪ "i don't care I'm not about to stake my grave with a paper and a bucket of plans never ever..." ♪♪

você passa uma eternidade dentro de uma sala de aula na escola. depois vem a faculdade. uns seguem para o mestrado e por aí vão em diante. aprendendo um punhado de coisas que não sabem pra que exatamente usar durante uma vida inteira, certamente.

porém não há sala de aula no mundo que ensine só poderem muitas de nossas paranóias ser tão somente externadas num divã, claro, se fulaninho qual seja não quer parecer um idiota em meio à bagunça organizada de tanta gente ou não suporta mais sucumbir à doidice toda de si mesmo.

não vá chorar o leite derramado agora pra quem quer que seja. não faça isso. acene, ria, diga bom dia - boa tarde - boa noite ou qualquer coisa que sirva de cumprimento, pergunte como vai e no final simplesmente elogie. elogie e se não lhe doer todo esforço sorria descompassadamente novamente. é assim que fazem, é assim que se torna motivo de orgulho para os seus.

aja sempre assim. sempre nessa ordem. e sejamos sempre essa imagem rizível do outro pra lá de toda essa gritaria de criança, dos ruídos radiofônicos e dos holofotes fluorescentes após perguntarmos de quem somos especiais e se valeu à pena. um dia o ardor de dor nas costas só piora enquanto o hoje é só mais um começo…

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#nowplaying Set Fire To The Rain - Adele

 

e a chuva não tem dado uma trégua sequer. às vezes, o céu de um zeus furioso sabe-se nunca por que motivo (parece) vai desabar sem dó e piedade. é ira, é prenúncio de dilúvio. outras é só garoa, um chuvisco fraco, chegando macio, devagarinho como o que cai agora…

começa sempre com uma pressão danada aqui embaixo que faz forçosamente gotas malemolentes subirem às extremidades superiors vagarosamente. e numa cadência só, os pingos quase invisíveis vão juntando-se a poeiras de vastos horizontes com a ajuda do sopro dos ventos.

ficam mais fortes, pesados, ceifam as nuvens, caem por terra e, em harmonia e felicidade, balançam as árvores, matam a fome dos jardins, rosas que desabrocham em quimera, charme e beleza. fluxo este que se refaz a fecundar ou amadurecer a vida.

e o frio da rua invade nossas casas, uma preguiça se faz presente e o cobertor parece a melhor companhia quando o café não faz questão de invadir nossas narinas e anunciar uma vontade imensa e desmedida de adiar o tempo.

momento natural e mágico de felicidade tal que pode ser arrebatado pelo ligeiro descontentamento de percebermos que os sonhos cândidos dos primeiros anos da tenra e leda existência ao desenhar um sol no chão molhado nada adiantaram senão para, sorrateiramente, fazerem  rirmos hoje saudosos do fato de que, quiçá, tivéssemos sido tolos o suficiente de crer que isso um dia poderia acontecer.

homens e mulheres abrem seus guarda-roupas, libertam os casacos dos cheiros impregnados dos matadores de baratas, vestem suas capas e põem abertos os guarda-chuvas e sombrinhas ou desagasalhados, infelizemente, lamentam a miséria junto aos ratos saltitantes nas ruas…

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#nowplaying Beth / Rest – Bon Iver

não basta viver para o bem porque independentemente do que se faça toda e qualquer a ação sempre dependerá do outro polo da relação. o círculo é vicioso, previsível até demais. é assim dentro de casa, é assim na vizinhança, na escola, no trabalho, é desse jeito em qualquer dimensão da vida. a gente voa na paciência, lamentando intimamente – baixinho – essas migalhas de contentamento, morfo e poeira –, que a vida nos dá quotidianamente como consolação em risos de vergonha para depois redescobrir que o tempo é mesmice, é só mais um querer empacado que impulsiona, bem ou mal, a incorrer nos erros de sempre: tudo desarranjando, tudo assustando, tudo acovardando, desbotando, descolorindo, começando a perder o sentido, precisando ser avivado com nova seiva, para que a vida continue a pulsar visceralmente. e infeliz engano: a esperança nem salva, dá asas e aprisiona, prega-nos uma peça em meio a tanta sujeira incrustrada, perante o entregar-se à sorte como comparsa lançada ao vento, em terra e céu.. ♪♪♪ this is us. ♪♪…

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“Não pense que sou contrário às máscaras! Pelo contrário.”

o desejo é um tempo parado. é quando se trocam as datas dos bichos e das flores. é quando aumenta a rachadura da velha parede. é quando se vira a folha, a folha da história. é quando se pinta um fio branco na cabeleira preta. é quando se endurece o rastro de sorriso no canto dos olhos…

- meu mundo - otto part. lirinha -

é assim. todos os dias. as madrugadas abrem-se, todas dengosas e impunes, ao sol nas manhãs de dias ainda mais esfomeados pelo sono de muitas gentes. tantos planos, tantos desejos de tudo dar certo que a esperança faz parecer realmente que dará certo. e eu me empolgo, cochilo, guturo palavras inconscientes e aí já é hora. ostumblr_ln58q1Pn4w1qdj0hbo1_500 olhos insinuam um desabrochar tímido. vem o amargo na boca travando a mandíbula. o coração arrebata e logo depois endurece. hora de pensar, fazer listas e mais listas nas portas dos guarda-roupas, em lembretes apregoados nos espelhos e geladeiras, em papéis picados de vontades prementes que, muito displicentemente, são deixados para trás, quando não tudo fria, calculista e premeditadamente, é digitado numa página de uma rede social dessas quaisquer que só servem para adiar, adiar e adiar sonhos tais ainda mais. toda fonte é sagrada? toda água é doce? toda alma é pura? toda hora é bela? ou é senão todo um sistema de simulação inventado (…) para ocultar a desordem…? e, assim, o dia tão veloz  passa, escapulindo, com o vento, do meu alcance. as mãos pegam fogo e eu, já sem as digitais que me são peculiares, prostrado ao por-do-sol, quem sou mesmo?! a existência como uma ninharia. fica um vão…